História Completa

Limitada de um lado pelo Oceano Atlântico e do outro por uma cadeia de montanhas, a VILLA RISO, tem sua origem no MORGADIO DE ASSECA posteriormente FAZENDINHA DE SÃO JOSÉ DA ALAGOINHA DA GÁVEA, que ia do alto da Boa Vista, à Gávea e à Jacarepaguá. Morada de gente ilustre como Salvador Correia de Sá Benevides, um de seus primeiros proprietários e dono de uma extensa biografia, como homem público e político, merecendo pelos seus extraordinários feitos a nomeação como Almirante do Mar do Sul; filho de Marin Correia de Sá, que em 1603 obteve o posto de Governador do Rio de janeiro, e neto de Salvador Correia de Sá, primeiro Capitão-Mor do Rio de Janeiro.

Salvador Correia de Sá e Benevides nasceu em 1594. Como homem do Mar nos parece em 1612, praticando em juvenil idade o arrojado feito de levar do Recife a Lisboa, um comboio de 30 navios, livre dos ataques dos holandeses. Em todas as lutas em que se empenhou tais foram o valor e talentos militares postos à prova, que fizeram de Salvador de Sá um dos homens mais extraordinários da época. Era casado com dona Catharina Velasco, filha do Governador do Chile. Acumulando vitórias em suas lutas com os holandeses no Chile, foi recompensado por D. Felippe em 21 de fevereiro de 1637 com sua nomeação para Capitão-Mor e Governador do Rio de Janeiro. Nomeado General da Frota por alvará e regimento de 26 de março de 1644 e, obedecendo sua inclinação natural, como julgasse de mais transcendência o posto de General da Frota, delegou os poderes das outras responsabilidades, para a ele se dedicar integralmente.

Lutando com os holandeses em Angola e sendo vitorioso, guarneceu a Luanda no Congo, e fundou povoação no Zaire. Depois de governar por três anos aquela parte do Reino Lusitano, voltou ao Rio de Janeiro, recebendo como prêmio as comendas de São Julião de Cássia, de São Salvador da Lagoa, e a mercê do Senhorio de Asseca, da Alcaidaria-mór da cidade do Rio de Janeiro, recebendo também o privilégio de gravar a figura de dois africanos por suporte de suas armas e brasão de família. Criou-se então o MORGADIO DE ASSECA hoje VILLA RISO, transação lavrada no Rio de Janeiro em 15 de janeiro.

A casa grande do MORGADIO DE ASSECA, onde moravam os senhores deste pequeno feudo, tem à frente colossais palmeiras imperiais plantadas pelas próprias mãos de D. Pedro II por volta de 1868, quando tendo ido ver uma baleia que apareceu no Costão da Gávea, foi convidado pelo Senador João Pedro Dias de Carvalho para visitar esta fazendinha da qual era então proprietário.

Morto o Senador, seus herdeiros venderam grande parte das terras da Gávea e outras ao Sr. Francisco Antonio Martins.

Pelos idos de 1880 o Conselheiro Antonio Ferreira Vianna, para fugir ao político do então Governador Marechal Floriano Peixoto, alugou a fazenda e, encantado com sua beleza natural, posteriormente a comprou.

O Conselheiro Antonio Ferreira Vianna, homem ilustre, natural da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, nasceu em 11 de maio de 1832. Com oito anos de idade veio com toda família para o Rio de Janeiro, fugindo da Guerra dos Farrapos. Estudou com enorme brilhantismo no tradicional colégio D. Pedro II. Em 15 de dezembro de 1850, aos 18 anos, recebe o de Bacharel em Letras, seguindo para São Paulo onde se matriculou na Faculdade de Direito. Colaborou em quase todos os jornais de São Paulo, onde fundou com Quintino Bocayuva o “Jornal Honra”, famoso na época.

Em 1859, casa-se em Niterói com D. Josefina Sidônia Donenick Pacheco, filha do Desembargador Joaquim José Pacheco, Presidente do Tribunal da Re de São Paulo e irmão da Baronesa de Bella Vista cujo salão foi um dos mais célebres da época.

Formado em Direito em 1855 foi em seguida nomeado Promotor Público da Corte e foi também Presidente da Câmara Municipal, embelezando a cidade e construindo escolas e hospitais. Deputado Geral em 1868 pela Província do Rio de Janeiro foi eleito em cinco legislaturas seguidas. Ministro da Justiça e do Império do Gabinete, 10 de março de 1888, na regência da Princesa Imperial D. Isabel, redigiu em sua biblioteca nesta mesma fazendinha de São José da Alagoinha da Gávea (hoje VILLA RISO), a lei de 13 de maio de 1888 declarando extinta a escravidão no Brasil.

A república encontra-se no Convento de Santo Antônio onde é preso, isto porque o Conselheiro tinha o hábito de recolher-se de vez em quando no citado convento, vindo daí sua alcunha de “Frade” ou Frei Antonio.

Em suas viagens ao exterior é recebido pela Rainha D. Amélia de Portugal pela Rainha da Espanha D. Maria Christina, mãe de Afonso XVIII. Em Londres é hóspede no Palácio do Cardeal Maning. Recebido várias vezes por S.S. Papa Leão XIII, é condecorado com a Grã-Cruz de São Gregório Magno possuindo, mesmo sendo leigo, um Breve da Santa Sé com autorização para falar do Púlpito, além de um diploma que o equiparava a qualquer frade da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos de São Francisco. Teve também uma audiência com a Rainha Vitória da Inglaterra. Em Cannes, Nice, Baden e Paris convive na intimidade com o Imperador D. Pedro II e a excelsa Princesa D. Isabel.

Grande advogado, foi patrono de todas as grandes questões de seu tempo. Autor de vários livros, biógrafo de José Bonifácio de Andrada e Silva, deixou Ferreira Vianna a fama de filósofo, estadista, administrador, jornalista, emérito orador, jurisconsulto e humanista além de Católico Apostólico Romano e monarquista. Faleceu em 10 de novembro de 1903.

Grandes artistas como o pintor e arquiteto Thomaz Drindell, (que inclusive o ajudou a planificar o jardim), Bordallo Pinheiro e outros, assim como a nobreza e o clero, frequentavam seus salões, e era frequente o trânsito de carruagens em suas alamedas com árvores de raras espécies, povoadas por pássaros dos mais diferentes cantos. Árvores frutíferas como: mangueiras, jaqueiras, cambucás, jabuticabeiras, fruta-pão, oitizeiros e uma enorme variedade de palmeiras ornavam seus jardins e pomares.

Foi ainda o Conselheiro Ferreira Vianna quem construiu a Estrada da Gávea quando Presidente da Câmara Municipal da Côrte em 1870, com a condição de ser fiscal de sua conservação o Visconde de Waldetário, que morava à margem dela.

Fabricava ele na fazenda rapaduras e uma afamada aguardente de cana que distribuía entre amigos e para tal fim tinha dois alambiques e tachos.

Seu filho, Alberto Ferreira Vianna, mandou essa aguardente de cana à exposição internacional se St. Louis nos Estados Unidos da América do Norte, ganhando uma medalha de prata e um diploma de Menção Honrosa.

Frei Custódio, um dos fundadores do Jardim Botânico, era visita frequente assim como o historiador João Capistrano Abreu.

Houve nesta casa vários banquetes memoráveis, entre eles um oferecido ao Conselheiro Thomaz Coelho e outro ao também Conselheiro Gaspar da Silveira Martins, onde o famoso pintor José Bento de Araújo fixou na tela a Pedra da Gávea. Havia nas redondezas uma indústria de lapidação de diamantes, que desapareceu, existindo umas três ou quatro oficinas, todas movidas por rodas d’água, onde se lapidavam pedras de quase todos os ourives da cidade.

Com a morte de Ferreira Vianna, a fazenda coube de herança a seu genro o Dr. José Pires Brandão, que mais tarde a desmembrou, vendendo uma parte a Cia. Jardins da Gávea, reservando a outra parte para si, na qual compreendia a casa grande. Em 1932, seus herdeiros venderam grande parte ao Dr. Osvaldo Riso, o correspondente atualmente VILLA RISO.

O Dr. Osvaldo Riso nasceu em Roma em 12 de maio de 1887, filho do Comendador Vincenzo Riso, diretor da Banca Itália, e de D. Tereza Riso Chiarle.

Aluno brilhante, participou do 1º Concurso Nacional feito pelas Estradas de Ferro do Estado classificando-se entre os primeiros, assumindo em 1906 o posto de secretário do Inspetor-Chefe do Movimento das Estradas de Ferro do Estado. Frequentou o curso do Instituto Superior de Estudos Comerciais e Econômicos e Línguas estrangeiras, sendo discípulo do primeiro professor de Economia da Itália, Mestre de Montel. Foi chamado, por merecimento, à Banca d’Itália para o cargo de Direção Geral. Formado doutor em Ciências Econômicas no ano de 1914 com a tese “Direito Comercial, Político, Alfandegário e Monetário”, teve votos de louvor e foi chamado a participar da criação do Instituto Nacional para o Câmbio com o Estrangeiro. Em 1915 participou dos estudos para a preparação financeira e econômica da guerra. Foi voluntário de guerra, sendo nomeado 1º tenente no Real Comissariado Militar. Entre outubro e dezembro deste mesmo ano, fez suas primeiras viagens à Paris e Londres (Bank of England) em missão especial de caráter econômico-financeiro, por conta do Governo Real.

Várias viagens se sucedem com o mesmo propósito, sendo nomeado Inspetor do Instituto Nacional dos Câmbios com o Estrangeiro. Em 1919 participou na criação da Internacional Chamber of Commerce em Atlantic City, de cujas reuniões participou até 1926. Vem ao Brasil em missão especial em abril de 1921, fazendo estudos e negociações para a criação do Banco Ítalo-Brasileiro e a intensificação do intercâmbio comercial entre os dois países. Em janeiro de 1923, o Governo Brasileiro, pelo seu Ministro da Fazenda Sr. De Stefani, aceita seu plano, sendo nomeado Diretor Geral do Banco de Roma.

Ocupou-se de várias reorganizações industriais da sociedade em grave crise financeira, culminando a sua ação no salvamento do grupo das Sedas. Além de ter reorganizado o grupo – do qual já se pedia falência – manteve em vida a Indústria da Seda Nacional de Campinas S.A., o principal instituto do gênero no Brasil, que criou, pode-se dizer, a indústria da Seda no país. Para isso teve que renunciar ao cargo de delegado da Banca d’Itália e do Instituto Nazionale dos Câmbios em 1929, assumindo inteiramente a administração dessas indústrias, das quais foi eleito Vice-Presidente e Administrador Delegado. Manteve sempre as melhores relações com as autoridades brasileiras e italianas, prestando serviços relevantes em todos os campos, devendo-se principalmente a ele a Constituição do Consórcio dos grandes estaleiros italianos e respectivos representantes, que efetuou o fornecimento dos submarinos. Foi Presidente da Cinzano S/A do Brasil e Consultor da Pirelli S/A do Brasil.

Foi designado pelo embaixador da Itália, para Conselho da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, sendo membro do Instituto Histórico de Ouro Preto e da Academia dos Jaxarnadás.

Adquirindo a fazenda de São José da Alagoinha da Gávea, em 1932, e sendo um homem de rara sensibilidade, amante das artes e grande colecionador, pacientemente restaurou o que necessitava de reparos e instalou a ornamentação barroca da estrada – que comprou na demolição da igreja de Santo Antônio dos Pobres – que passou a servir de capela nas festas de casamento. Mas o núcleo da antiga casa, assim como seus móveis de estilo, continuaram intactos. Balaustrada e volutas de Mestre Valentin, imagens esculpidas por Mestre Aleijadinho, luminárias de século XVIII, tudo isso resiste até hoje, graças às mãos protetoras do Dr. Osvaldo Riso, que preservou estas paredes, verdadeiro monumento, onde outrora transitaram altas personagens das duas épocas passadas mais brilhantes do Brasil, o Primeiro e o Segundo Império.

No Primeiro e parte do Segundo Império, foi o senador José Pedro Dias de Carvalho que hospedou o Imperador D. Pedro II como também a José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca, e outros grandes vultos.

No Segundo Império e parte da República foi o Conselheiro Ferreira Vianna, que hospedou os Conselheiros: Domingos de Andrade Figueira, Gaspar da Silveira Martins, João Alfredo Correia de Oliveira, José Bento de Araújo, Frei João do Amor Divino Costa, e dos mais modernos, João Capistrano de Abreu, Eduardo Prado, Affonso Arinos, Olavo Bilac, Patrocínio Antonio Leitão e tantos outros.

Respirando ares tão românticos, Osvaldo Riso se apaixona por uma brasileira, mais precisamente uma amazonense, de nome Camélia, com quem se casou em 1938, tendo duas filhas, Maria Elizabetta e Cesarina.

Camélia, mulher de grande beleza e talento, se iniciou nas artes pelas mãos de seu irmão Garibaldi Cruz, estudou pintura com Guignard, Gez Heller, e escultura com Humberto Cozzo, expondo seus trabalhos em Roma, Zurich e no Brasil.

Continuando a tradição de bem receber, Osvaldo e Camelia Riso abriam frequentemente seus salões para acontecimentos culturais com o comparecimento do que havia de mais representativo na sociedade e era comum terem hóspedes famosos como: Gabriela Mistral, Thomaz Mann, La Guardia, Stephazweig, Stravinsky, Gigli, Bergnstein, Calder, Giuseppe Ungaretti, Maria Callas e o próprio Guignard chegou a morar por uns tempos, numa fase difícil.

Família católica por excelência, de senso artístico por índole, não haveria como renegar e sim sempre aumentar, como fez, a tradição de tudo neste maravilhoso solar, em que a nossa era colonial aqui e ali, tem sempre algo ilustrativo.

Aqui antevemos a graça feminina, exteriorizada pela artística disposição dos seus jardins e eleição de plantas e flores, pela decoração do interior do solar, realçando a sensibilidade artística de Camelia Riso, em todo e nos mínimos detalhes.

Herdeira de propriedade e talento dos Riso, Cesarina, com a morte do pai e a viagem da mãe para São Paulo, assume a já então chamada VILLA RISO, com muita competência, por ser uma artista dedicada à música, tendo começado seus estudos de piano ainda criança e habituada ao convívio com intelectuais e artistas. Estreou publicamente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1953, quando tinha apenas 12 anos de idade, tocando com extraordinária segurança e nitidez, dentro da melhor técnica pianística, o Concerto de Mozart em Dó Menor, sob a regência do Maestro Oliviero de Fabritiis. Tocou também só a batuta do grande Maestro Leonard Bernstein.

Viajando para Europa em 1954 estudou em Viena com Seidlhoffer tendo como colegas os regentes Zubin Mehta, Claudio Abbado e a concertista Marta Argerich. Na Suíça estudou com Edwin Ficher e na Itália com Carlo Zecchi.

Foi premiada no Concurso de Genebra em 1957, tocando nesta época com os mais importantes maestros e participando de vários festivais.

Em 1958, casa-se com o grande pianista Jacques Klein, dedicando-se à carreira pianística intensamente, participando de concertos como sua partner no Brasil e no exterior. Tocou igualmente com o reputado pianista Nelson Freire.

Casada pela segunda vez na Itália com o diretor de teatro, ópera e televisão Sr. Carlos Maestrini, por dezoito anos o acompanhou como assistente de direção em trabalhos na arena de Verona, Anfiteatro Romano de Ceasareia em Israel, em Berlim, nos Estados Unidos e na América do Sul.

Cesarina inaugurou a VILLA RISO em dezembro de 1982, após longa e cuidadosa restauração assinada pelo arquiteto e pintor Ricardo Sierra, transformando o espaço em Centro Cultural e Social. Resolveu abrir seus inúmeros salões, jardins e capela para abrigar casamentos, e demais cerimônias religiosas, festas, exposições permanentes de arte e fotografia, leilões e feira de amostra, desfile, encontros, palestras, cursos, seminários e outras comemorações de cunho social como coquetéis e jantares.

Na verdade, a VILLA RISO já é uma espécie de espaço cultural desde 1932 quando o pai de Cesarina chegou a São Conrado, acolhendo em seus salões o que o Rio de Janeiro possuía de mais fino e representativo.

Dando continuidade à obra do pai, Cesarina, imbuída da importância do patrimônio herdado, não deixou que a casa sofresse as dilapidações tão comuns ao modernismo. Ao contrário, dinamizou a arte cultural, abrindo os salões do pavimento inferior para abrigar uma Galeria de Arte, onde ocorrem regularmente exposições de alto nível artístico. As balaustradas de Mestre Valentin, que viram passar elegâncias do Império, hoje convivem com o que de melhor existe em matéria de arte, seja ela em forma de artes plásticas, música, poesia, teatro e afins.

A parte social, o espaço para eventos, como casamentos e recepções, com serviço completo de buffet é o que sustenta as atividades culturais e a manutenção da VILLA RISO.

Agora, ampliando ainda mais suas atividades, Cesarina dá oportunidade ao turismo externo de também partilhar conosco um pouco de nossa história e através dela nos conhecer melhor.

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